sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quando faz frio no coração

Todo nosso eu é construído do emocional.
E a soma dos acontecimentos,
o tamanho deles,
a forma ou o momento em que
chegam criam barreiras entre
nós e os outros,
às vezes nós e o mundo.

Quando faz frio no coração,
nós nos afastamos
de tudo aquilo que poderá tocá-lo.
Criamos um muro invisível
para protegê-lo e proteger-nos,
duvidamos das pessoas,
da sinceridade delas,
das suas boas intenções.

Esses invernos rigorosos
da vida fazem com que nos
sintamos mais sós,
nos esquecemos de olhar um
pouco para fora e olhamos
muito para dentro.

E quando mais pensamos nas
nossas tristezas,
mais tristes nos sentimos,
o que cria esse círculo vicioso do
qual é difícil se livrar.

E quando esses períodos
de festas se aproximam em
que todos falam tanto de amor,
solidariedade,
perdão e compreensão,
o que possuem o coração apertado
o sentem mais pequenininho ainda.

Uma maneira de reverter essa situação,
é oferecer o que precisamos.
Mudando nossa mentalidade,
mudamos o mundo.
Para abrir o coração das pessoas,
precisamos abrir o nosso.

São nossas mãos que devem
derrubar as primeiras barreiras
que nos separam
das pessoas e da vida.

É a luz que possuímos que
deve ser a primeira a nos aquecer,
a iluminar nossos passos,
ninguém pode ver por nós,
caminhar por nós e menos
ainda sentir por nós.

Quando fazemos pelos outros,
estamos concentrando
nossas energias em algo externo
a nós e quando pensamos
menos na carga que carregamos,
ela parece mais leve,
mais suportável.

Quando faz frio no nosso coração,
devemos agasalhá-lo para que
ele passe melhor pelo inverno,
que passará,
como passam todas as
outras estações.

Aquele que aprende a plantar uma flor,
planta muito mais que uma flor,
ele faz nascer a esperança no mundo.

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 21 de Novembro de 2.010.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Setenta vezes sete

Temos o direito de errar
ao longo da nossa vida.

Guiados pelo coração
ou emoções que controlam o que
nosso juízo deveria controlar,
vamos de tropeço em tropeço.

Não estamos condenados eternamente
porque somos humanos.

O que não podemos,
portanto,
é repetir vezes e vezes
os mesmos erros e achar a cada
vez que tudo pode ser justificado.
Errar? Pecar?
Faz parte, infelizmente,
do caminho,
da quota de cada um.

Quando cometemos nossos
deslizes e que a vida
nos dá uma nova oportunidade
de recomeçar,
é loucura pensar que o
perdão nos é devido
indefinidamente e querer,
de forma absurda,
atingir o setenta vezes sete.

Cada pessoa e cada coisa
tem seu limite.
Repetir erros e enganos
contra os que nos amam
simplesmente porque sabemos
que um coração que ama
sabe perdoar,
é abusar da confiança que
depositam em nós,
é desrespeitar o outro
como pessoa.

Suportar e suportar erros
em nome do amor pode
parecer heróico.

O perdão é algo que exige
de nós uma força quase inhumana
e sabemos bem que
para realmente perdoar
precisamos abandonar o nosso
eu que pede justiça.

Mas não temos o direito
de brincar com os sentimentos
dos outros e nem permitir que
brinquem com os nossos.

Deslizar e cair uma vez,
duas, pode acontecer,
mas à partir do momento
que isso se torna um hábito é
que algo está muito errado.

Devemos aprender a dizer
"não" quando isso significa
reinvindicar o respeito próprio.

Cada um tem o direito
de viver com dignidade
e não podemos ser nada para
o mundo se já não
somos capazes de nos olhar
no espelho e sustentar
nosso próprio olhar.

Ame o mundo e ame ao outro.
E ame-se também,
assim como amou e ama
Aquele que te criou.

Perdoe e perdoe-se!
E não pare no caminho,
nem olhe para trás.
Há diante de nós um Éden
que nos espera e devemos viver
de maneira a sermos dignos de
passar por essa porta.

AUTORIA: Letícia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 14 de Novembro de 2.010.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quando a vida sorri

Nem tudo é preto e nem
tudo é branco na vida.
Se muitas vezes
temos a impressão que
o mundo e todas as misérias dele
recaem sobre nós é por
que não olhamos com mais
objetividade para nosso interior
ou os passos
que deixamos para trás.

É próprio do ser humano,
ou da maior parte dele,
de revisitar a vida mais facilmente
nos momentos dolorosos.
Vamos,
passo a passo,
revendo isso mais aquilo,
sempre somando as tristezas.

Parece que queremos nos
convencer da nossa razão
de tristeza existencial,
provar a nós e aos outros o
quanto somos
privados da felicidade
que cremos
(mas só cremos!)
destinada a alguns privilegiados.

Há cada ano quatro estações
distintas que nos
mostram que a vida está
sempre em movimento.
Há cada dia
variações de temperatura
e de luminosidade que provam
que a vida não é estática.

E é assim conosco.

Depois das primeiras horas,
primeiros dias e primeiros
anos muito e muito aconteceu.

Por que então privilegiar
os momentos onde a vida
pareceu mais árdua,
por que medir os rios de
lágrimas que choramos e não
os quilômetros de sorriso que demos?
Mesmo se poucos
(e o que é pouco na contagem de uma vida?),
esses momentos existiram.
Com certeza, existiram.

A vida sorri aqui e acolá.
Sorri quando nasce uma criança,
quando brota uma flor,
quando as férias chegam,
quando revemos alguém
depois de longo tempo,
quando nosso coração descobre
a alegria de enxergar outro coração
e assim por diante.

Não fugindo da realidade
que nos cerca e que
devemos enfrentar,
é bom relembrar o que de bom
e bonito nos aconteceu.
Visitar mais vezes nos recantos
da mémória o bem que nos fizeram,
o dia mais marcante,
os momentos que compartilhamos
e as gargalhadas que demos.

Devemos acreditar que no muro
que está diante de nós
pelo menos uma janela
vai se abrir,
assim como se abriram
as portas pelas quais atravessamos
e que nos conduziram até o hoje.

Quando a vida nos sorri
devemos tirar um retrato
dela e colocar num
grande quadro,
bem visível no lugar que
mais ficamos na nossa casa.
E olhar pra ele mais vezes,
mais intensa e mais profundamente.

Um momento de felicidade
pode ser muito maior e compensar
centenas de outros menos alegres.
Se acreditamos nisso vivemos muito
mais e muito mais serenamente.

AUTORIA: Leticia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 07 de Novembro de 2.010

É triste dizer adeus

É triste dizer adeus,
mas às vezes é necessário.
Não podemos prender a
nós definitivamente as pessoas
que amamos para suprir nossa
necessidade de afeto.

O amor que ama,
aprende a libertar.

Procuramos ganhar tempo
para tudo na vida.
Mas a vida,
quando chega no próprio limite,
despede-se e é esse último
adeus que é difícil de compreender e,
mais ainda, aceitar.

Possuímos um conceito
errado do amor.
Amar seria,
no seu total significado,
colocar a felicidade do outro
acima de tudo,
mas na realidade é a nossa
felicidade que levamos
em consideração.

Queremos os que amamos
perto de nós porque isso
nos completa,
nos deixa bem e seguros.
E aceitar que nos deixem é a
mais difícil de todas as coisas.

Não dizemos sempre que
queremos partir antes de
todos os que amamos?

Isso é para evitar nosso
próprio sofrimento,
nossa própria desolação.
É o amor na sua forma egoísta.

Aceitar um adeus definitivo
é uma luta.

Se as perdas acontecem
cedo demais ou de forma inesperada,
o sentimento de desamparo
é muito maior e a dor
mais prolongada.

É o incompreensível casando-se
com o inaceitável e o tudo
rasgando a alma.

Essas dores poderão se acalmar,
mas nunca se apagarão.
Mas quando a vida chega ao
final depois de primaveras e
primaveras e outonos
e mais outonos,
nada mais justo que o repouso
e aceitar a partida é uma forma
de dizer ao outro que o amamos,
apesar da falta que vai fazer.

Não podemos prender
as pessoas a nós para ter
a oportunidade de dizer tudo
o que queremos ou fazer
tudo o que podemos por elas.

De qualquer forma,
depois que se forem,
sempre nos perguntaremos se
não poderíamos ter dito ou
feito algo mais.

Mas essas questões
são inúteis.

O amor que ama integralmente
não quer ver o outro
sofrer e ele abre mão dos
próprios sentimentos para que
o destino se cumpra,
para que a vida siga seu curso.

As dores do adeus são as
mais profundas de todas.
Mas elas também amenizam-se
com o tempo e um dia,
sem culpa, voltamos a sorrir,
voltamos a abrir a janela
e descobrimos novamente
o arco-íris da vida.

Depois da tempestade
descobrimos um dia novo
e o sol brilha de
maneira diferente.

E talvez seja assim
que aprendemos a dar
valor à vida,
aos que nos cercam;
aprendemos a viver de forma
a não ter arrependimentos
depois e aproveitar ainda
mais cada segundo vivido em
companhia daqueles que
nosso coração ama.

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 31 de Outubro de 2.010.

sábado, 16 de outubro de 2010

A vida entrelinhas

É incrível como em várias
situações da vida nos tornamos
cegos a certas coisas.

Vemos o que queremos ver,
sabemos o que queremos saber
e tudo o mais toma uma
importância tão mínima que quase
desaparece da nossa memória.

É assim que muitas pessoas
toleram situações que,
se assim não fosse,
se tornariam insuportáveis.

Mas como todas as moedas
têm dois lados,
nem sempre ignorar os fatos
nos ajuda a melhor viver.

Precisamos saber reconhecer
o que está nas entrelinhas da vida,
buscar a honestidade relacionada
a uma situação,
uma pessoa, a si mesmo,
à própria vida.

Se nos cegamos
voluntariamente a algo importante,
o fardo não se torna mais leve.
Apenas fugimos para
lugar nenhum.

O fato de não vermos um
problema não o torna inexistente e,
sejamos francos,
não nos machuca menos.

Quantas e quantas vezes
sentimos que algo nos incomoda,
vivemos num mal-estar quase
constante e continuamos
a prosseguir.

Se procurarmos ver um
pouco mais profundamente,
honestamente e sem medo,
com ou sem ajuda,
encontraremos a raiz do mal.

Fazer face à certas coisas
poderá provocar muitas lágrimas.
Mas lágrimas benditas,
que nos ajudarão a evacuar a
dor e provocarão o profundo suspiro
de alívio depois de algum tempo.

Eu sei que não é fácil abrir o coração,
escancarar a alma e resolver tudo
como num passe de mágica.

Sei que não é de uma hora
pra outra que tudo se
torna claro e visível.
E é para isso que
existe o tempo.

Porém a porta do querer
saber deve ser aberta por nós.
Depois outras portas se abrirão,
devagarzinho, até a última,
que nos mostrará a luz do dia,
nos dirá que a vida é bela,
apesar de tudo o que vivemos
ou tivemos que passar.

Nos possíveis e impossíveis da vida,
muito está nas nossas mãos.

Jesus disse:
"Quem tem ouvidos para ouvir,
ouça."

A melhor maneira de ler
as entrelinhas da vida é com os olhos
fechados em oração
e súplica Àquele que cuida de
nós nos mínimos detalhes e que,
para nos dar exemplo,
foi como nós,
carregou um fardo e
também chorou.

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 17 de Outubro de 2.010.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tempestade em copo d'água

Fazer tempestade em copo
d'água é dar a uma situação uma
importância muito maior do que
ela tem ou merecer ter.

Vê-la, talvez,
com os olhos do desespero
e com a inquietação da alma.

São os pequenos acontecimentos
de cada dia que vão formando
nossa história,
com outra ou outras pessoas.

Esses fatos têm uma importância
singular para cada um e para que
sejamos justos numa relação,
é necessário não julgarmos o tamanho
que cada coisa ocupa na vida
da outra pessoa.

O que é importante para o outro,
pode ser simples para
mim e vice-versa.

Nunca podemos desprezar
ou minimizar os sentimentos de
uma outra pessoa ou sua reação,
somente porque aquilo é menos
importante pra gente,
pois quem mente a si mesmo,
acredita nas próprias mentiras.

Quando uma pessoa exagerar
numa reação e disser a você
que isso a machuca,
não menospreze.
Ela realmente sente e importa
pouco se a dor é grande ou pequena.

Tente,
com muita ternura,
abraçar o coração dela.

Se for o caso de realmente
ser uma tempestade num
copo d'água,
a calma virá mais rápido se
sua reação for de uma pessoa
compreensiva e que respeita
a dor alheia.

Quando se trata da vida,
atiçamos o vento e produzimos a chuva,
acalmamos as tempestades
e trazemos com nossas próprias
mãos o sol de volta.

É bastante um olhar,
um grande coração,
um gesto de compreensão
e todas as tempestades da
vida se tornarão suaves
ventos de primavera.

E a colheita de flores,
juntamente com a dos frutos,
é a mais abençoada de todas.

AUTORIA: Letícia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 10 de Outubro de 2.010.

sábado, 2 de outubro de 2010

QUANDO A DOR NOS VISITAR

O que faz doer nem sempre
tem causa aparente.
Dor é um acontecimento sem datas.

Prolonga-se no tempo
e contraria todas as regras
dos argumentos.

Eu não sei o que dói.
Eu não sei quando começou doer.
O que sei é que a dor é a identificação
mais profunda da condição humana.

Dela é que nasce
a expressão do cuidado.

A dor sinaliza que algo
precisa ser curado,
que algo carece de presença,
olhar atento e esforço redobrado.

Dores são diversas.
São físicas, emocionais,
psíquicas.

Dores de toda hora,
de vez em quando,
ao cair da tarde,
com o chegar das primeiras
estrelas ou com os
primeiros raios de sol.

Dores não conhecem o tempo.
Chegam quando querem.
Elas se acomodam nos
cantos da alma,
nos centros das carnes e ficam.

Os que já sofreram muitas
dores aprenderam a
lidar com elas.
Elas amadurecem.

Eu tenho um amigo travando
uma luta ferrenha com essas
visitantes estranhas.
Os olhos brilhavam um pouco mais.
O sorriso que lhe é tão próprio
não se desfez em nenhum momento,
mas apenas cedeu lugar para
uma forma mais sublime de sorrir.

Era a dor chegando com
sua lousa e giz,
pronta pra ensinar.

Ele tem sabido aprender.
Tenho orgulho do meu amigo e sei,
que mais cedo ou mais tarde,
eu receberei as lições desse aprendizado.
Sofri com ele, mas de longe.
Não posso ficar ao lado.
Eu experimento a dor à distância.
Experimento a dor que tem sido minha,
e que de alguma forma é
a dele também.

Dores criam esquinas inesperadas.

Não sabemos dar nome ao
que nos faz sofrer,
soframos abraçados aos que
nos amam de verdade.

AUTORIA: Padre Fábio de Melo
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 03 de Outubro de 2.010.